Fato: o Brasil tá ficando uma merda! Culpa minha, sua, nossa e deles. Eles, a terceira do plural, as pessoas da sala de jantar, a corja de assassinos estupradores, os garçons e seus cálices: pessoas que apenas mudam de cara com o tempo, mas habitam em nossos corações e consciências desde que largamos a posição quadrúpede.
Este texto está cheio de coisas que nós estamos carecas de saber, mas simplesmente ignoramos pelo bem estar de nossas vidas. Afinal, viver é passar por cima dos problemas, né? É viver um dia após o outro, superar as dificuldades, é não ter a vergonha de ser feliz.
Um país com corpo de potência e pensamento de formiga, sempre cedendo à imagem de bom vizinho e aspirando respeitos desnecessários. Isso devido a diversos fatores. A começar por um povo de auto estima circense. Um povo bonito, rico, embora prejudicado ao decorrer da história. Um povo ordenhado que vive de pasto e água, alimentando os próprios viciados, criando e matando pelo dinheiro e pelo bem comum. A terminar por uma nação cercada de amigos-hermanos-brothers preocupados com nossas riquezas e nossa saúde, e com o desenvolvimento sustentável sem a extinção dos elefantes brancos.
O Brasil tem os parlamentares mais caros do mundo. E os mais corruptos. São os funcionários públicos mais contraditórios que conheço. Determinam o próprio salário, a própria jornada de trabalho. Por outro lado, seus patrões são os melhores que existem: pagam muito, não cobram nada. Apenas reclamam, quase nunca sem saber porque. Apenas reclamam, são ouvidos, protocolados, arquivados. Uma política meramente política, uma oposição meramente oposta. O poder fala mais alto e o povo se cala, samba, joga e torce para o time favorito.
E a educação sucateada? O mercado de trabalho controverso? Cadê a mão do Estado quando precisamos dela? A mão está fazendo o que faz melhor: pegando, catando, escolhendo e jogando fora. Somos meros grãos de soja e milho! Sofro pelos amigos, colegas de estudo, que ficaram pelo caminho. Aqueles que não tiveram oportunidades ou foram impedidos de aproveitar as poucas oferecidas. A sociedade engana, enebria com uma felicidade viciante, repetitiva e vazia. Por muitas vezes desejei ser ignorante e feliz. Hoje, redefino a ideia de felicidade ao meu bel prazer, através do conhecimento adquirido com o tempo. Modéstia a parte, prefiro a segunda.
E o que eu estou fazendo a respeito? Pouco, ou nada. Falo, reclamo, conscientizo: isso é o pouco. Estudo, progrido, sonho: isso é o nada. Mas, quando quiserem fazer uma greve geral, uma passeata até a prefeitura/planalto, cortar as cabeças de alguns ministros, ou limpar alguns rios poluídos, me avisa.
Este pequeno manifesto é uma parcela da minha e da sua indignação. Penso em escrever mais a cada novela, a cada intervalo comercial, a cada partida de futebol. A cada mentira escondida em parcelas de felicidades contratadas e despejadas a conta gotas. Um dia ainda deixo de me preocupar com essas coisinhas bobas, que não levam ninguém a lugar algum. Neste dia chorem, pois acabei de morrer para reviver como uma fênix apagada pintada de cinzas e disfarçada de arara azul.
terça-feira, 28 de junho de 2011
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