segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Dejavu

O que dizer do seu olhar inocente
Descentrado, destemido, brilhante
São olhos alegres, olhos sinceros
Olhos generosos, nos fazem regredir
Esquecer os problemas do mundo
Voltar ao âmago, ao ventre, ao vento

Após o olhar, o sorriso
O Sol, a Lua, a luz
A quebra do silêncio erudito
De forma viciante e endêmica
Descomplica as coisas tão simples
Que fomos ensinados a distorcer

Tão perto, já sinto as mãos
Os gestos, afagos, abraços
Frios e quentes, sujos de terra e melado
Resultado do curioso e destemido
Dividindo a experiência do dia
Ou, que seja, o fruto do trabalho

É por cada um destes que voltamos pra casa
Que lutamos, fazendo um mundo melhor
Por estes inventamos novos problemas
E esquecemos de nós mesmos
E são estes que nos lembram
Hoje, elas são só crianças
Amanhã, seremos nós
Olhando o futuro e vivendo o passado

terça-feira, 28 de junho de 2011

Manifesto em palavras bonitas (parte 1)

Fato: o Brasil tá ficando uma merda! Culpa minha, sua, nossa e deles. Eles, a terceira do plural, as pessoas da sala de jantar, a corja de assassinos estupradores, os garçons e seus cálices: pessoas que apenas mudam de cara com o tempo, mas habitam em nossos corações e consciências desde que largamos a posição quadrúpede.

Este texto está cheio de coisas que nós estamos carecas de saber, mas simplesmente ignoramos pelo bem estar de nossas vidas. Afinal, viver é passar por cima dos problemas, né? É viver um dia após o outro, superar as dificuldades, é não ter a vergonha de ser feliz.

Um país com corpo de potência e pensamento de formiga, sempre cedendo à imagem de bom vizinho e aspirando respeitos desnecessários. Isso devido a diversos fatores. A começar por um povo de auto estima circense. Um povo bonito, rico, embora prejudicado ao decorrer da história. Um povo ordenhado que vive de pasto e água, alimentando os próprios viciados, criando e matando pelo dinheiro e pelo bem comum. A terminar por uma nação cercada de amigos-hermanos-brothers preocupados com nossas riquezas e nossa saúde, e com o desenvolvimento sustentável sem a extinção dos elefantes brancos.

O Brasil tem os parlamentares mais caros do mundo. E os mais corruptos. São os funcionários públicos mais contraditórios que conheço. Determinam o próprio salário, a própria jornada de trabalho. Por outro lado, seus patrões são os melhores que existem: pagam muito, não cobram nada. Apenas reclamam, quase nunca sem saber porque. Apenas reclamam, são ouvidos, protocolados, arquivados. Uma política meramente política, uma oposição meramente oposta. O poder fala mais alto e o povo se cala, samba, joga e torce para o time favorito.

E a educação sucateada? O mercado de trabalho controverso? Cadê a mão do Estado quando precisamos dela? A mão está fazendo o que faz melhor: pegando, catando, escolhendo e jogando fora. Somos meros grãos de soja e milho! Sofro pelos amigos, colegas de estudo, que ficaram pelo caminho. Aqueles que não tiveram oportunidades ou foram impedidos de aproveitar as poucas oferecidas. A sociedade engana, enebria com uma felicidade viciante, repetitiva e vazia. Por muitas vezes desejei ser ignorante e feliz. Hoje, redefino a ideia de felicidade ao meu bel prazer, através do conhecimento adquirido com o tempo. Modéstia a parte, prefiro a segunda.

E o que eu estou fazendo a respeito? Pouco, ou nada. Falo, reclamo, conscientizo: isso é o pouco. Estudo, progrido, sonho: isso é o nada. Mas, quando quiserem fazer uma greve geral, uma passeata até a prefeitura/planalto, cortar as cabeças de alguns ministros, ou limpar alguns rios poluídos, me avisa.

Este pequeno manifesto é uma parcela da minha e da sua indignação. Penso em escrever mais a cada novela, a cada intervalo comercial, a cada partida de futebol. A cada mentira escondida em parcelas de felicidades contratadas e despejadas a conta gotas. Um dia ainda deixo de me preocupar com essas coisinhas bobas, que não levam ninguém a lugar algum. Neste dia chorem, pois acabei de morrer para reviver como uma fênix apagada pintada de cinzas e disfarçada de arara azul.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Ah, verdades
Por que ferem?
Sinceridade, doce flor cheia de espinhos.
Quem as quer? Quem as cultiva?
Ninguém é o que diz?
Se sabes por que sinto, por que perguntas?
Se sabes o que ignoro, por que tenta?
Se sabes que vou, por que não vai?
Se sabes que falo a verdade, por que ouves?
Se não a quer, por que pede?
Ou a verdade não satisfaz, ou a falta dela o faz
Verdade, simples, crua, nua, minha ou sua